(+ 351) 213 303 720

 

Para um fotógrafo que é avesso a alterar o que quer que seja em alguém que fotografou (ou seja, recorrendo a ferramentas de edição fotográfica), o interesse e as conversas com quem pode alterar algo numa pessoa, antes dela ser fotografada, são sempre longas e construtivas. Entre as pessoas e profissionais que o podem fazer, contam-se os make-up artists, os psicólogos e os cirurgiões plásticos.

Já não é a primeira vez que alguém me pergunta, após uma sessão fotográfica, se posso retirar ‘aquela ruga’? A minha resposta é sempre a mesma: ‘As rugas, tal como as outras marcas que o nosso corpo evidencia, contam a nossa história. Não me atrevo a apagar uma parte tão importante de alguém. Mas se, mesmo assim, quiser fazê-lo, conheço quem o faça com a maior competência’.

Já depois de ter dito esta frase algumas vezes, cruzei-me com Mário Mendanha como que por acaso. Ao fim de alguns minutos de conversa e mesmo que a sua humildade me tivesse dificultado a tarefa, percebi que estava na presença de alguém que me iria ajudar a continuar a prescindir dos pincéis do Photoshop para retirar ‘aquela ruga’. Mais que isso, percebi que estava na presença de um perfeccionista da Cirurgia, sem, com isso, se tornar num tecnicista sem visão e sentir artísticos; de alguém a quem eu gostaria de perguntar várias coisas sobre uma profissão que se cruza tantas vezes com a minha e que me enche de curiosidades. De alguém com quem tenho, afinal, tantas afinidades, pois embora utilizemos cirurgicamente instrumentos diferentes, ambos temos a responsabilidade de saber que mudamos vidas, que uma cirurgia e uma sessão fotográfica não são só o acto a acontecer, mas que em ambas há a premência de uma preparação meticulosa; a técnica a dar as mãos à arte no acto encetado por ambos; o recobro após um momento importante para a vida de quem está nas nossas mãos; e o pós-operatório que inclui o primeiro contacto – seja ao espelho ou em papel fotográfico – com o rosto do amanhã que cada um quer para si – ou não estivesse incluido, naquilo que fazemos e nas pessoas que se entregam a nós por momentos,  uma vontade de mudar algo para melhor.

Uma cirurgia tal como uma sessão fotográfica ‘sem filtro’ envolvem uma grande coragem por parte de quem se sujeita a elas. Se no meu caso não há qualquer anestesia, no caso de Mário Mendanha é fácil perceber, ao ouvi-lo a ele ou a um dos seus pacientes, porque é que confiam nele de olhos fechados.

 

Ricardo Pereira da Silva [RAWPHØTOLOGY]: Lembras-te de qual era o teu maior medo, na infância?

Mário Mendanha: Como todas as crianças, tinha terrores noturnos. Tinha um sonho que me perseguia, de cães diabólicos e coisas do género. O ‘fantástico’ sempre esteve presente na minha infância, tanto nos pesadelos como na própria ideologia. Gostava de viver num mundo criado por mim, nas pequenas coisas.

RPS: Eram medos que se relacionavam sobretudo com criaturas?

MM: Sim. Por exemplo, lembro-me de mim, muito miúdo, entre os 6 e os 10 anos, a gostar de usar suspensórios e mala para ir para a escola, portanto tinha uma forma particular de ser, que até ia contra os conselhos dos meus pais, que queriam a minha normalidade. E isso, depois, dentro da minha vivência habitual, estava presente e mesmo nos meus sonhos, sob a forma de criaturas fantásticas e monstros diabólicos.


Read More

Entra-nos pela casa dentro todos os dias, há vários anos. A forma divertida, leve e por vezes desafiante, como parece deslizar pela vida e mostrá-lo ao público, faz-nos esquecer facilmente, a nós e a ela própria, que a Inês cresceu a olhos vistos; porque aos olhos dela, os seus valores e as suas prioridades estruturais, sempre foram matéria inegociável. A simplicidade, a gratidão e a humildade, são só algumas das qualidades que ressaltam nesta conversa disfarçada de entrevista. E o humor, sempre o humor. Porque não há nada melhor que ter por companhia, numa ilha deserta, alguém que nos faça rir.

 

Ricardo Pereira da Silva [RAWPHØTOLOGY]: O que fizeste da vida, Inês?

Inês Castel-Branco: Acho que aproveitei o facto de ser privilegiada e tenho tirado o melhor da vida. Também tive muita sorte por ter descoberto muito cedo aquilo que gosto de fazer. E ter tido oportunidades nessa área. Há muito poucas pessoas que têm essa sorte.


Read More

Já não é  a primeira vez que dou por mim, em sufrágios que definem decisões que me impactam de alguma forma, a pensar nos critérios que levam as pessoas a preferir candidatos e a votar neles. Fico sempre com a impressão que raros são aqueles que lêem programas eleitorais e com a certeza que, na maior parte das vezes, decidem por critérios partidários e também pela impressão que têm sobre os candidatos. O resto, é o que se sabe: uma lista negra de candidatos que são bons a convencer o eleitorado, mas que muitas vezes não passam disso. Porque, como em quase tudo na vida, as pessoas medem-se pelas acções e nunca pelas promessas.

Depois de consultar o programa dos vários candidatos às eleições do Sporting, que é decisão que me impacta mais do que de alguma forma, gostei particularmente do programa de Rui Jorge Rego e da forma positiva e construtiva como sempre se apresentou a debate.

Quis conhecer e fotografar o homem por trás das ideias. Sem filtros. Sem preparação. Sem mais ninguém a assistir. De olhos nos olhos. Preto no branco. Ou como diria Hemingway, ‘Como 2 histórias que se encontram’.

 

Lisboa. 07 de Setembro de 2018.

 

Ricardo Pereira da Silva: Lembra-se de si como uma criança feliz?

Rui Jorge Rego: Eu tive uma infância dupla. Tive uma infância muito feliz quando vivíamos no Brasil, com uma qualidade de vida que acho que nunca mais vou ter, quer no colégio, quer na vivência do dia-a-dia. Vivia numa vivenda grande, estudava num colégio com 2 piscinas, salas de cinema, etc.

Depois apanhei um choque grande quando vim para Portugal, aos 8 anos. Vim viver para uma caixa de fósforos e para uma escola pública portuguesa.


Read More

Não há prazer maior para um fotógrafo que gosta, sobretudo, de contar histórias através da fotografia, do que ter a liberdade e a oportunidade artística de seguir o seu instinto, sem filtros e sem cercas entre aquilo que sente e a linha do seu horizonte.


Read More
Dezembro 5, 2017

Nem que a vida nos separe.

 

De que é feita a expressividade? Que tempo ou distância cósmica vai da sensação de conforto ao estado de naturalidade? Onde e quando nasce verdadeiramente a intimidade e a cumplicidade? Onde fica o ponto zero a partir do qual tudo começa, como se fosse a nascente de um ribeiro que nos traz tudo isso no caudal e desagua na mais simples e bela das fotografias? 


Read More
0%
error: This content is protected.