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A Dra. Matilde Sirgado foi a primeira pessoa que conheci no Instituto de Apoio à Criança (IAC), quando um dia bati àquela porta e perguntei como podia ajudar crianças, através deles?

Achei, por isso, mas também por ter sido a pessoa com quem mais contei na operacionalização do projecto ‘YOU HAND ME – Mãos que transformam vidas’, que todos deviam conhecer esta mulher fantástica, que luta diariamente por esta causa, desde 1993 e que, em 2024, foi nomeada vice-presidente desta instituição que é indissociável dos direitos das crianças em Portugal.


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/ RAWSTØRIES

Quando decidi começar a viver para e da Fotografia, decidi também fazer uma formação em iluminação fotográfica de estúdio, para reciclar o que tinha aprendido, por mera curiosidade, com os grandes fotógrafos com quem me cruzei quando era publicitário.

Passados uns meses, dei um workshop no Porto, a seguir ao qual fotografei algumas pessoas. Levei o carro carregado de luzes, stands§, deflectores e toda uma parafernália de equipamento para obter a luz perfeita. Foi nesse momento que conheci e fotografei, pela primeira vez, a Margarida Henriques. E ao fim de uns breves instantes, ao ouvir a Margarida, enquanto a fotografava, dei conta que tinha levado material a mais: a luz perfeita está, afinal, naqueles que são relevantes para a vida de alguém, que nunca se distraem dos outros e que nunca desligam a empatia; são pessoas que olham – como os fotógrafos – mas que imprimem a sua sensibilidade em quem mais precisa.


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Por principio, toda e qualquer entrevista deve cumprir o desígnio de serviço público e de informação, mesmo quando atende somente os interesses duma pequena minoria. Neste caso e para lá do que cumpre, enquanto entrevista, senti que era de interesse de tanta gente dar a conhecer uma das pessoas mais credenciadas, que conheço, para falar sobre algo que afecta uma maioria crescente da população adulta, especialmente a ocidente: os problemas de coluna e as dores limitadoras ou mesmo incapacitantes que eles podem provocar.


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Susana Gaspar é a prova viva que ser artista, quando conhecemos a nossa missão, não tem que estar agarrado a um certo status quo, nem trazer consigo um estilo de vida ou uma disrupção constante com os valores essenciais. Começou a pintar enquanto esperava pelo seu marido, para jantar. Simples, assim. E nesse tempo de espera, começou a ilustrar, na tela, a alma da artista que vive dentro de si, desde cedo, pela forma como vê e sente, a cada olhar, o que a rodeia; e que tenta pintar, para se encontrar e para desafiar, através da cor, o cinzento em que o mundo se está a tornar, porque ela acredita que a arte nos torna mais humanos.


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Estamos numa época em que se questiona a validade de tudo e mais alguma coisa, e também dos métodos educativos vigentes há pouco mais de 20 anos. Num ponto-de-vista mais pessoal, e que decorre do facto de eu ter uma profissão na qual tenho o privilégio de ver as pessoas como pessoas e para lá do que elas mostram e promovem publicamente, vejo demasiadas pessoas e um Mundo que é muito mais movido por Paixão (esse sentimento que tem muito mais a ver com auto-validação, do que com qualquer outra coisa ou pessoa) do que por Amor (o mais nobre e bonito dos sentimentos, cujo combustível é a felicidade e o crescimento dos outros, naquilo que os faz felizes e mais válidos a eles).


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Diz-se que ‘não há uma segunda oportunidade para causar uma primeira boa impressão’. Já não é a primeira vez que dou por mim a filosofar sobre a validade desta expressão. Mas quando conheci a Joana Marcelino, essa não foi uma das vezes: ao fim de uns breves minutos, não só a primeira boa impressão estava conseguida, como se seguiram muitas mais. Seguiu-se uma sucessão de coincidências e cumplicidades de alma, de visão e de missão, em duas profissões que parecem ser tão diferentes, mas que não conseguem viver uma sem a outra: a Arquitectura e a Fotografia. 


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Digo, repetidas vezes e mesmo quando falo de fotografia pessoal, que ‘não existe storytelling estratégico, sem estratégia; da mesma forma que não existe uma estratégia de sucesso, onde não existe uma Proposta de Valor – seja ele criado ou acrescentado face ao que já existe’.

É raro cruzar-me e conversar com alguém que seja, ao mesmo tempo, focado, disponível e customer centric. Quando isso acontece, tenho normalmente duas certezas: que essa pessoa não conhecerá outro caminho que não seja o do Sucesso; e que ela tem tudo para ‘ficar bem na fotografia’, mesmo quando não tem uma câmara por perto.

Romana Ibrahim é uma dessas pessoas. O facto de ser customer centric leva-a, por natural inerência, a ser focada no seu propósito e disponível para observar e escutar – ou não fosse essa a capacidade primeira de quem coloca o cliente (neste caso, o seu) sempre em primeiro lugar.


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Para um fotógrafo que é avesso a alterar o que quer que seja em alguém que fotografou (ou seja, recorrendo a ferramentas de edição fotográfica), o interesse e as conversas com quem pode alterar algo numa pessoa, antes dela ser fotografada, são sempre longas e construtivas. Entre as pessoas e profissionais que o podem fazer, contam-se os make-up artists, os psicólogos e os cirurgiões plásticos.

Já não é a primeira vez que alguém me pergunta, após uma sessão fotográfica, se posso retirar ‘aquela ruga’? A minha resposta é sempre a mesma: ‘As rugas, tal como as outras marcas que o nosso corpo evidencia, contam a nossa história. Não me atrevo a apagar uma parte tão importante de alguém. Mas se, mesmo assim, quiser fazê-lo, conheço quem o faça com a maior competência’.

Já depois de ter dito esta frase algumas vezes, cruzei-me com Mário Mendanha como que por acaso. Ao fim de alguns minutos de conversa e mesmo que a sua humildade me tivesse dificultado a tarefa, percebi que estava na presença de alguém que me iria ajudar a continuar a prescindir dos pincéis do Photoshop para retirar ‘aquela ruga’. 


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Entra-nos pela casa dentro todos os dias, há vários anos. A forma divertida, leve e por vezes desafiante, como parece deslizar pela vida e mostrá-lo ao público, faz-nos esquecer facilmente, a nós e a ela própria, que a Inês cresceu a olhos vistos; porque aos olhos dela, os seus valores e as suas prioridades estruturais, sempre foram matéria inegociável. A simplicidade, a gratidão e a humildade, são só algumas das qualidades que ressaltam nesta conversa disfarçada de entrevista. E o humor, sempre o humor. Porque não há nada melhor que ter por companhia, numa ilha deserta, alguém que nos faça rir.

 

Ricardo Pereira da Silva [RAWPHØTOLOGY]: O que fizeste da vida, Inês?

Inês Castel-Branco: Acho que aproveitei o facto de ser privilegiada e tenho tirado o melhor da vida. Também tive muita sorte por ter descoberto muito cedo aquilo que gosto de fazer. E ter tido oportunidades nessa área. Há muito poucas pessoas que têm essa sorte.


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RAWSTØRIES são reflexões retiradas de sentimentos que me surgem durante sessões fotográficas. E são conversas de alma entre pessoas que gostam de pessoas e de ser pessoas. Sobre pessoas que vale a pena conhecer enquanto pessoas. Conversas espontâneas, íntimas sem ser indiscretas, sem guião e sem preocupações, mas todas elas conduzidas com o propósito de dar a conhecer o que interessa a quem as tem; e sempre com a curiosidade e a despreocupação que só a uma criança se poderia pedir.

Porque nas conversas como na vida, acredito que cada pessoa é única. E que por detrás de um nome, há sempre um ser humano e uma história que vale a pena conhecer.

Esta, podia ser uma conversa científica, perante a oportunidade de conversar com um dos mais capazes e incontornáveis pediatras portugueses com reconhecimento e distinção internacional. Mas, apesar desse facto e acima de tudo, o Professor João Gomes Pedro torna-o impossível, pois revela, também nas conversas, a forma que o distingue nas consultas e com que entrega a sua competência, diariamente, às crianças e pais do nosso país: com emoção, com serenidade, com bom senso, com curiosidade e sempre de olhos nos olhos.

 

Ricardo Pereira da Silva [RAWPHØTOLOGY]: Se numa viagem de elevador tivesse que contar a alguém o que fez da sua vida, o que diria?

João Gomes Pedro: Tentaria criar uma analogia entre o que se poderia ver de cima desse prédio, que estaríamos a subir; e o que se vê do cimo de uma vida feita de experiência, onde passa a ser especial aquilo que vimos ao longo dela, em termos de personalidade, de unicidade. Como quem sobe um monte e repara nos detalhes do percurso, que não repara no dia-a-dia; e no prazer da descoberta que sentimos quando chegamos ao cimo.


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