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Digo, repetidas vezes e mesmo quando falo de fotografia pessoal, que ‘não existe storytelling estratégico, sem estratégia; da mesma forma que não existe uma estratégia de sucesso, onde não existe uma Proposta de Valor – seja ele criado ou acrescentado face ao que já existe’.

É raro cruzar-me e conversar com alguém que seja, ao mesmo tempo, focado, disponível e customer centric. Quando isso acontece, tenho normalmente duas certezas: que essa pessoa não conhecerá outro caminho que não seja o do Sucesso; e que ela tem tudo para ‘ficar bem na fotografia’, mesmo quando não tem uma câmara por perto.

Romana Ibrahim é uma dessas pessoas. O facto de ser customer centric leva-a, por natural inerência, a ser focada no seu propósito e disponível para observar e escutar – ou não fosse essa a capacidade primeira de quem coloca o cliente (neste caso, o seu) sempre em primeiro lugar.

Esta é, por isso, uma entrevista que inclui na Garantia duas das coisas que defendo de forma mais acérrima: quem cria valor para alguém, ficará sempre bem na fotografia. E uma história só é boa, quando é relevante para alguém.

Tentei, como tento sempre, conhecer a Pessoa e a Mulher que está por detrás do êxito da Keep Warranty. Mas ao fim de alguns minutos e outras tentativas, percebi que isso seria uma tarefa tão difícil, como me seria a mim falar da minha pessoa, sem referir várias vezes a minha missão e a minha paixão enquanto fotógrafo.

Quiçá, esta, seja a minha forma mais insuspeita de explicar porque fiquei rendido a Romana Ibrahim, como fotógrafo, entrevistador e storyteller estratégico.

 

Ricardo Pereira da Silva [RAWPHØTOLOGY]: O que é essencial que os outros conheçam de ti?

Romana Ibrahim [KEEP WARRANTY]: Acima de tudo, uma pessoa que se preocupa em facilitar a vida ao próximo; e nos negócios mais concretamente, facilitar a vida ao consumidor.  Enquanto indivíduos estamos cada vez mais sujeitos a informação que nos chega de múltiplas formas, a um dia-a-dia muito agitado e precisamos de ferramentas que nos facilitem a vida. E a Keep Warranty é uma dessas ferramentas. Ajuda-nos a manter numa só aplicação de telemóvel, todas as faturas de tudo o que compramos e, acima de tudo, notifica-nos cada vez que a garantia relativa às mesmas está prestes a expirar.

RPS: Numa perspetiva de garantia, somente?

RI: Começou por ser nessa perspetiva, mas os nossos utilizadores ensinaram-nos que existe muito mais. A Keep Warranty é usada para se guardarem documentos importantes, ser notificado sobre um pagamento que vai expirar, da data ou de uma apólice de seguro, entre outros. Em suma, resumimos o ciclo de vida de cada compra, e de cada experiência de consumo.


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Para um fotógrafo que é avesso a alterar o que quer que seja em alguém que fotografou (ou seja, recorrendo a ferramentas de edição fotográfica), o interesse e as conversas com quem pode alterar algo numa pessoa, antes dela ser fotografada, são sempre longas e construtivas. Entre as pessoas e profissionais que o podem fazer, contam-se os make-up artists, os psicólogos e os cirurgiões plásticos.

Já não é a primeira vez que alguém me pergunta, após uma sessão fotográfica, se posso retirar ‘aquela ruga’? A minha resposta é sempre a mesma: ‘As rugas, tal como as outras marcas que o nosso corpo evidencia, contam a nossa história. Não me atrevo a apagar uma parte tão importante de alguém. Mas se, mesmo assim, quiser fazê-lo, conheço quem o faça com a maior competência’.

Já depois de ter dito esta frase algumas vezes, cruzei-me com Mário Mendanha como que por acaso. Ao fim de alguns minutos de conversa e mesmo que a sua humildade me tivesse dificultado a tarefa, percebi que estava na presença de alguém que me iria ajudar a continuar a prescindir dos pincéis do Photoshop para retirar ‘aquela ruga’. Mais que isso, percebi que estava na presença de um perfeccionista da Cirurgia, sem, com isso, se tornar num tecnicista sem visão e sentir artísticos; de alguém a quem eu gostaria de perguntar várias coisas sobre uma profissão que se cruza tantas vezes com a minha e que me enche de curiosidades. De alguém com quem tenho, afinal, tantas afinidades, pois embora utilizemos cirurgicamente instrumentos diferentes, ambos temos a responsabilidade de saber que mudamos vidas, que uma cirurgia e uma sessão fotográfica não são só o acto a acontecer, mas que em ambas há a premência de uma preparação meticulosa; a técnica a dar as mãos à arte no acto encetado por ambos; o recobro após um momento importante para a vida de quem está nas nossas mãos; e o pós-operatório que inclui o primeiro contacto – seja ao espelho ou em papel fotográfico – com o rosto do amanhã que cada um quer para si – ou não estivesse incluido, naquilo que fazemos e nas pessoas que se entregam a nós por momentos,  uma vontade de mudar algo para melhor.

Uma cirurgia tal como uma sessão fotográfica ‘sem filtro’ envolvem uma grande coragem por parte de quem se sujeita a elas. Se no meu caso não há qualquer anestesia, no caso de Mário Mendanha é fácil perceber, ao ouvi-lo a ele ou a um dos seus pacientes, porque é que confiam nele de olhos fechados.

 

Ricardo Pereira da Silva [RAWPHØTOLOGY]: Lembras-te de qual era o teu maior medo, na infância?

Mário Mendanha: Como todas as crianças, tinha terrores noturnos. Tinha um sonho que me perseguia, de cães diabólicos e coisas do género. O ‘fantástico’ sempre esteve presente na minha infância, tanto nos pesadelos como na própria ideologia. Gostava de viver num mundo criado por mim, nas pequenas coisas.

RPS: Eram medos que se relacionavam sobretudo com criaturas?

MM: Sim. Por exemplo, lembro-me de mim, muito miúdo, entre os 6 e os 10 anos, a gostar de usar suspensórios e mala para ir para a escola, portanto tinha uma forma particular de ser, que até ia contra os conselhos dos meus pais, que queriam a minha normalidade. E isso, depois, dentro da minha vivência habitual, estava presente e mesmo nos meus sonhos, sob a forma de criaturas fantásticas e monstros diabólicos.


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Entra-nos pela casa dentro todos os dias, há vários anos. A forma divertida, leve e por vezes desafiante, como parece deslizar pela vida e mostrá-lo ao público, faz-nos esquecer facilmente, a nós e a ela própria, que a Inês cresceu a olhos vistos; porque aos olhos dela, os seus valores e as suas prioridades estruturais, sempre foram matéria inegociável. A simplicidade, a gratidão e a humildade, são só algumas das qualidades que ressaltam nesta conversa disfarçada de entrevista. E o humor, sempre o humor. Porque não há nada melhor que ter por companhia, numa ilha deserta, alguém que nos faça rir.

 

Ricardo Pereira da Silva [RAWPHØTOLOGY]: O que fizeste da vida, Inês?

Inês Castel-Branco: Acho que aproveitei o facto de ser privilegiada e tenho tirado o melhor da vida. Também tive muita sorte por ter descoberto muito cedo aquilo que gosto de fazer. E ter tido oportunidades nessa área. Há muito poucas pessoas que têm essa sorte.


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RAWSTØRIES são reflexões retiradas de sentimentos que me surgem durante sessões fotográficas. E são conversas de alma entre pessoas que gostam de pessoas e de ser pessoas. Sobre pessoas que vale a pena conhecer enquanto pessoas. Conversas espontâneas, íntimas sem ser indiscretas, sem guião e sem preocupações, mas todas elas conduzidas com o propósito de dar a conhecer o que interessa a quem as tem; e sempre com a curiosidade e a despreocupação que só a uma criança se poderia pedir.

Porque nas conversas como na vida, acredito que cada pessoa é única. E que por detrás de um nome, há sempre um ser humano e uma história que vale a pena conhecer.

Esta, podia ser uma conversa científica, perante a oportunidade de conversar com um dos mais capazes e incontornáveis pediatras portugueses com reconhecimento e distinção internacional. Mas, apesar desse facto e acima de tudo, o Professor João Gomes Pedro torna-o impossível, pois revela, também nas conversas, a forma que o distingue nas consultas e com que entrega a sua competência, diariamente, às crianças e pais do nosso país: com emoção, com serenidade, com bom senso, com curiosidade e sempre de olhos nos olhos.

 

Ricardo Pereira da Silva [RAWPHØTOLOGY]: Se numa viagem de elevador tivesse que contar a alguém o que fez da sua vida, o que diria?

João Gomes Pedro: Tentaria criar uma analogia entre o que se poderia ver de cima desse prédio, que estaríamos a subir; e o que se vê do cimo de uma vida feita de experiência, onde passa a ser especial aquilo que vimos ao longo dela, em termos de personalidade, de unicidade. Como quem sobe um monte e repara nos detalhes do percurso, que não repara no dia-a-dia; e no prazer da descoberta que sentimos quando chegamos ao cimo.


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RAWSTØRIES são reflexões retiradas de sentimentos que me surgem durante sessões fotográficas. E são conversas de alma entre pessoas que gostam de pessoas e de ser pessoas. Sobre pessoas que vale a pena conhecer enquanto pessoas. Conversas espontâneas, íntimas sem ser indiscretas, sem guião e sem preocupações, mas todas elas conduzidas com o propósito de dar a conhecer o que interessa a quem as tem; e sempre com a curiosidade e a despreocupação que só a uma criança se poderia pedir.

Porque nas conversas como na vida, acredito que cada pessoa é única. E que por detrás de um nome, há sempre um ser humano e uma história que vale a pena conhecer.

E nada melhor que começarmos por conhecer o lado humano e algumas histórias que vivem por detrás do nome Laurinda Alves e daquilo que todos conhecemos desta incontornável jornalista.

Ricardo Pereira da Silva (RPS): Laurinda, consegue dizer-me, em poucas palavras, o que fez da vida?

Laurinda Alves (LA): O que faço da vida – prefiro dizê-lo no presente – é tentar, a cada dia, ser melhor e dar mais à vida.

RPS: E o que fez a vida de si?

LA: Não sei se fez de mim ou se fez comigo…  Fez uma pessoa mais consciente da sua missão, do seu papel e da sua vocação…

RPS: Mais alegre?

LA: …mais alegre, mais leve e mais tranquila. E mais feliz.


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Já não é  a primeira vez que dou por mim, em sufrágios que definem decisões que me impactam de alguma forma, a pensar nos critérios que levam as pessoas a preferir candidatos e a votar neles. Fico sempre com a impressão que raros são aqueles que lêem programas eleitorais e com a certeza que, na maior parte das vezes, decidem por critérios partidários e também pela impressão que têm sobre os candidatos. O resto, é o que se sabe: uma lista negra de candidatos que são bons a convencer o eleitorado, mas que muitas vezes não passam disso. Porque, como em quase tudo na vida, as pessoas medem-se pelas acções e nunca pelas promessas.

Depois de consultar o programa dos vários candidatos às eleições do Sporting, que é decisão que me impacta mais do que de alguma forma, gostei particularmente do programa de Rui Jorge Rego e da forma positiva e construtiva como sempre se apresentou a debate.

Quis conhecer e fotografar o homem por trás das ideias. Sem filtros. Sem preparação. Sem mais ninguém a assistir. De olhos nos olhos. Preto no branco. Ou como diria Hemingway, ‘Como 2 histórias que se encontram’.

 

Lisboa. 07 de Setembro de 2018.

 

Ricardo Pereira da Silva: Lembra-se de si como uma criança feliz?

Rui Jorge Rego: Eu tive uma infância dupla. Tive uma infância muito feliz quando vivíamos no Brasil, com uma qualidade de vida que acho que nunca mais vou ter, quer no colégio, quer na vivência do dia-a-dia. Vivia numa vivenda grande, estudava num colégio com 2 piscinas, salas de cinema, etc.

Depois apanhei um choque grande quando vim para Portugal, aos 8 anos. Vim viver para uma caixa de fósforos e para uma escola pública portuguesa.


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Não há prazer maior para um fotógrafo que gosta, sobretudo, de contar histórias através da fotografia, do que ter a liberdade e a oportunidade artística de seguir o seu instinto, sem filtros e sem cercas entre aquilo que sente e a linha do seu horizonte.


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Dezembro 5, 2017

Nem que a vida nos separe.

 

De que é feita a expressividade? Que tempo ou distância cósmica vai da sensação de conforto ao estado de naturalidade? Onde e quando nasce verdadeiramente a intimidade e a cumplicidade? Onde fica o ponto zero a partir do qual tudo começa, como se fosse a nascente de um ribeiro que nos traz tudo isso no caudal e desagua na mais simples e bela das fotografias? 


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